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xícara cotidiana

Textos poéticos e reflexões sobre o mundo.

Egocêntrico

A psicologia do condicionamento

só encaixou cada um

em arquétipos

E se exonerou de investigar

quem é esse indivíduo

que está à sua frente


A psicologia de massa

não cura indivíduos

Diagnostica e dopa

personalidades genéricas

encontradas em catálogos


Indivíduos

não estão em catálogos

Dores e questões singulares

não podem ser resolvidas

Como se fossem

de uma multidão


O egocentrado

não condicionado

é o novo distúrbio social

É melhor pensar que o problema

é ele

não a padronização


Desejos além são anormais

Então se não é permitido

pensar e sentir sozinho

longe da opinião consensual

Por que me chamam de

Indivíduo?

Perpetuamente

Perpetuamente desigh15

Flor de Lótus

Floresce junto com o 

amanhecer

sem ninguém esperar

Como um raio de luz

de uma estrela nova


Desabrocha com a cor

mais vibrante da estação

E intensamente revela

o interior desconhecido


Veneno invisível

escorre pelas pétalas

Adormecido 

Mas no solstício

desperta com tremores

Que trincam a terra


Com perfume solar

ilumina o olhar 

embriagando de beleza

Hipnotizando os céus

azulados do peito

Com olhos de rubi

Com um poder gigante 

transpassando as veias 

Andando sobre labaredas


Em todos os jardins

Ela não existia

Nasceu sem ser 

percebida

Trincando os olhos

de surpresa

E no cativeiro

da imagem intocável

perfuma a ousadia

dentro de si.

Marejado

Quem é vivo sempre aparece! Eu não lembro mais a última vez que atualizei este blog, mas volto com este poema que eu escrevi no ano passado e que tinha feito uma arte simples para postar no meu Instagram.marejado 3.jpg

Expressão Estranha

Expressão estranha você me faz

Seus olhos procuram respostas

que os meus não podem dar

Confusos somos por não sabermos



É inevitável assumirmos

uma outra face na situação



Saia de trás da máscara

Deixarei cair a minha – 

Sinceros?

Descobriremos quem somos?



Quero ver a cor dos olhos

Quero ver a cor da alma.

Asfixia Heroica

Despertar com um perfume,

um nome acorda os ouvidos

Adormecer sob um olhar,

a vaidade tem olhos grandes

delineados de sarcasmo

Seduzida de querer 

e de presunção

Sussurrando vida

no batente do surrealismo

moribundo

Onde a multidão na

escuridão dança 

tentando esquecer da asfixia

heroica de ser mais o que

se pode ser



Na duplicidade de faces

impregnadas nos espelhos

inventores de qualidades

A maquiagem está borrada

A lista de itens não tem fim

O querer é contínuo

obcecado no poder 

Possesso por poder

a vaidade tem olhos

grandes de orgulho

O seu nome serpenteia

ouvidos dormentes

E embebeda lábios

perfumados de ambição.

Flores Eternas

A primeira vez que abri

a janela dos meus sonhos,

haviam planetas no céu

que pairavam sobre 

minha cabeça

E satélites ameaçavam

cair sobre a terra

Não havia sol para girar

em torno 

Não havia órbita

E a escuridão tinha brilho próprio

como se fosse filha da luz


A minha mente voava

na tentativa de pegá-los com o 

pensamento de que

eu era onipotente

E a vontade de se atirar da janela

e voar para dentro dos sonhos

era libertadora


E quando eu não podia voar

eu corria mais do que minhas 

pernas podiam correr fora de 

um sonho


Mas se eu pudesse fotografar 

os sonhos

Fotografaria o coração

emergindo da apatia

e se transformando

na Alegria que corre

no jardim atrás das 

flores eternas.

Ouvidos

É com os ouvidos

que se aprende a cantar

E a memória dos sons

que ensina a falar

E mais tarde é com a mente

que se aprende a dançar

Mas o primeiro e melhor ouvido

é o útero

Pois é nele que se pode ouvir

a vida

E aí, todo o resto

faz mais sentido.

Pássaros

Invejo os pássaros

no alto das árvores

cantando a sabedoria

que não pode ser ouvida.

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